Ansiedade- Normal ou patológica?

Ansiedade- Normal ou patológica?

A ansiedade acompanha o homem desde os primórdios da humanidade. Foi ela que garantiu a preservação de nossa espécie e até hoje nos alerta sobre os perigos, tornando-nos mais cautelosos frente às ameaças.


Durante séculos e séculos, a trajetória humana foi marcada por ameaças representadas por animais ferozes, guerras, epidemias, busca por alimentos, etc. A ansiedade fazia a pessoa fugir ou atacar.

Hoje a ansiedade decorre da violência dos grandes centros urbanos, do trânsito caótico, da competitividade, das exigências pessoais e profissionais, dos relacionamentos afetivos tumultuados, da velocidade e quantidade de informações recebidas, dentre outros inúmeros fatores.

Mudaram os motivos, mas a ansiedade continua ligada à presença de ameaças.

De acordo com estudos desenvolvidos por Robert e Caroline Blanchard, a ansiedade é a emoção que surge em situações em que o perigo é incerto (ameaça potencial), seja devido a um contexto novo, seja porque já esteve presente no passado.

Já o medo se difere da ansiedade por estar ligado a um perigo real do presente (ameaça do agora).

A reação à ansiedade varia de indivíduo para indivíduo. Enquanto uma pessoa encara com tranquilidade uma situação ansiosa outra se desestabiliza e não consegue encontrar uma solução para enfrentar uma condição desconhecida e potencialmente perigosa.

Diferenciamos aí a ansiedade normal da patológica.

O que é ansiedade normal?

Você fica apreensivo às vésperas de uma entrevista de emprego? De uma prova importante? Quando seu carro enguiça em uma rua escura e deserta? Relaxe, isso não é doença!

A ansiedade é uma reação natural, um alarme que nosso corpo emite frente a um perigo real e conhecido. A ansiedade normal é um mecanismo de autopreservação, pois informa o indivíduo sobre os perigos que pode enfrentar e ajuda na busca de soluções adequadas para solucionar o problema.

Nesse caso, a ansiedade funciona como um estímulo para a ação.

A ansiedade se apresenta como um sentimento de apreensão, de algo que pode acontecer e por isso, é sentida como um aviso.

É claro que a ansiedade causa reações desagradáveis! Quem não sente um frio no estômago com a possibilidade de perder o emprego? Ou perde horas de sono antes de uma cirurgia? Ou fica com a boca seca antes de fazer uma palestra?

Nessas ocasiões nosso cérebro libera hormônios que produzem aumento do suor, dos batimentos cardíacos, do ritmo respiratório, etc., preparando o corpo para enfrentar a ameaça.

Superada a situação ameaçadora tudo volta ao normal, ou seja, a resposta ansiosa foi adequada em intensidade e duração.

Apesar de apresentar inconvenientes, a ansiedade é normal quando o indivíduo consegue mantê-la sob controle, identifica na realidade sua origem, mantém uma posição ativa buscando soluções para lidar com as ameaças e se beneficia com a experiência.

O que é ansiedade patológica?

É a ansiedade desproporcional e inadequada que atrapalha a vida do indivíduo minando seu equilíbrio físico e emocional.

É como se um alarme, informando uma ameaça, soasse de forma contínua e inapropriada.

Na ansiedade patológica há uma sensação difusa de ameaça em resposta a um perigo indefinido e não concreto. Essa sensação vem acompanhada por sintomas como palpitações, sudorese, agitação motora, náuseas, diarreia, etc.

Quando a ansiedade patológica se junta aos sintomas físicos (sintomas autonômicos), aparece a Síndrome Ansiosa, que se divide em vários transtornos de acordo com os sintomas predominantes.

Abaixo os mais frequentes:

Síndrome do Pânico

Transtorno do Pânico

Sua principal característica é a ocorrência de ataques de pânico, uma combinação de sintomas físicos intensos (dor no peito, falta de ar, sudorese, enjôo, etc.) e pensamentos perturbadores (sensação de morte iminente, medo de ficar louco, perder o controle, etc).

Os ataques de pânico são recorrentes e inesperados e costumam ter curta duração (menos de 1 hora).

Fobia

Medo irracional, persistente e desproporcional de um objeto, animal, situação ou atividade.

Costuma haver um comportamento de evitação, pois o medo é tão intenso que provoca ansiedade a ponto de interferir em todas as esferas da vida do fóbico.

São tipos de fobia:

1. Fobia específica

Fobia Específica e transtorno de ansiedade

Medo de locais fechados, altura, animais, sangue, etc.;

2. Fobia social

Fobia Social e transtornos de ansiedade

Medo de falar, comer, escrever em público e ser julgado negativamente;

3. Agorafobia

Medo de estar em local aberto ou envolvido em uma situação em que não obtenha ajuda caso aconteça um ataque de pânico.

• Transtorno do estresse pós-traumático

Transtorno do estresse pós-traumático e transtornos de ansiedade

O portador, necessariamente, deve ter vivenciado um grande estresse emocional (estupro, guerra, catástrofe, acidente grave, etc.) passando a reviver o trauma, em sonhos ou vigília, com um estado de ansiedade persistente e comportamentos de evitação a tudo que relembre o trauma.

 

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos de ansiedade

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Caracterizado por pensamentos involuntários e recorrentes e por atos compulsivos realizados como uma maneira de aliviar a ansiedade causada pelos pensamentos obsessivos, geralmente ameaçadores e desagradáveis.

• Transtorno de ansiedade generalizada

a pessoa que sofre desse transtorno tem preocupações exageradas e dificuldade em controlar sua ansiedade e tensão mesmo em situações corriqueiras, ficando impedida de relaxar.

Origem da ansiedade patológica

Na origem da doença há uma interação de fatores bio/psico/sociais. Como dito acima, a ansiedade acompanha o homem desde épocas primitivas, quando seu coração disparava ao fugir de um predador.

Ao longo dos tempos o cérebro humano desenvolveu estruturas para responder às ameaças. Na ansiedade patológica há uma hiperatividade dessas estruturas cerebrais, quando uma pessoa, de acordo com seus recursos emocionais, dá um significado muito intenso e desproporcional a um acontecimento estressor.

Esse evento estressor é sentido como mais angustiante e ameaçador do que de fato é.

Existe tratamento?

Quem sofre de ansiedade patológica precisa de ajuda.

O tratamento utiliza psicoterapia e medicamentos, geralmente antidepressivos e tranquilizantes. A medicação é necessária para diminuir os sintomas físicos e a reatividade emocional.

A psicoterapia é fundamental para a pessoa identificar e aprender a lidar com a ansiedade.

Respirar adequadamente, fazer exercícios físicos, praticar yoga ou meditação e ter um sono reparador são importantes  auxiliares no controle da ansiedade, clique aqui e leia as 5 dicas que pode ajudar a controlar a ansiedade.

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