Psicoafins | Inveja - O Mal Secreto

Inveja – O Mal Secreto

O nome vem do latim in-videre, ou seja, olhar com maus olhos. No Brasil é conhecido popularmente como ‘olho gordo’, o olho que tem inveja. Apesar de ser um sentimento universal, do qual todos nós já sentimos o gosto, a inveja é condenada social, religiosa e moralmente e, por isso, vivida de maneira quase secreta.

Era uma vez um rei viúvo que vivia sozinho com sua filha Branca de Neve. O rei, cansado da solidão, voltou a se casar, achando que também seria bom dar outra mãe para a menina.

Acontece que sua nova esposa, uma mulher belíssima, não gostava de Branca de Neve que, à medida que crescia, mais bela se tornava. Era uma menina feliz, vivia cantando, apesar de ser tratada como criada pela madrasta.

Uma vez, a madrasta, ao perguntar para seu espelho mágico quem era a mulher mais bela dentre todas, ouviu uma resposta diferente da que estava acostumada:

Minha rainha, tu és muito bela, mas Branca de Neve agora é a mais bela das mulheres”.

Louca de ódio e inveja, a rainha ordenou a um servo que matasse a garota. (Felizmente, como todos sabem isso não aconteceu).

INVEJA

Fazendo uma interpretação da atitude da rainha neste conto de fadas, vemos que ela não aguentou a constatação de que a enteada era mais bela.

Apesar de ser dona de uma admirável beleza, ser importante, rica e poderosa, curvou-se ao peso da inveja.

Mas como, podemos perguntar? A rainha não tinha motivos para invejar a enteada!

Acontece que ela invejava não somente a beleza, mas a felicidade estampada em seu rosto e em seu sorriso. Isso é que ela não conseguia aguentar!

 

O que é inveja?

O conto de fadas foi usado como ilustração para falarmos da inveja. É um sentimento destrutivo, pois não se trata só de querer o que o outro tem, mas neutralizar e desqualificar aquilo que não se pode ter e, ao mesmo tempo, acabar com a felicidade do invejado.

A sociedade a vê como um sentimento condenável e não tolerado na construção ética do homem. A igreja católica a trata como um dos mais terríveis e mesquinhos pecados que o homem pode cometer, sendo o sétimo pecado capital, pois ter inveja é sentir raiva do próximo ao ver sua felicidade.

Moralmente, também é condenada, pois ela não só prejudica o invejado como o próprio invejoso.

A Análise Psicodramática vê a inveja como vê todos os sentimentos: são humanos, nem bons nem maus, podendo causar angústia e sofrimento quando mal administrada.

 

O que causa a inveja?

Atrás da inveja há uma relação de comparação. Seu início se dá na infância, quando a criança é frequentemente comparada com outra que tem melhor desempenho ou é mais bonita, mais criativa, mais simpática.

A repetição desse padrão leva a um sentimento de inferioridade, frustração, impotência, inadequação, não merecimento e emoções de raiva e ódio.

Ao perceber no outro tal superioridade, não vê as próprias qualidades e recursos, não porque não os tenha, mas sim pela impossibilidade ditada por uma dinâmica de seu mundo interno. Dessa forma a inveja é desproporcional à situação real desse indivíduo.

 

A inveja boa: se ele pode, eu também posso!

Apesar de sua conotação frequentemente negativa, há uma inveja construtiva, ou inveja boa. Ocorre quando o invejoso nutre um sentimento de admiração pelas coisas ou qualidades que o invejado tem, reconhece seu desejo de tê-las e, ou admite sua impossibilidade de possuí-las ou vai em busca dessas coisas utilizando seus próprios recursos.

 

A inveja e o ciúme

Muitas vezes se confunde inveja com ciúme. A inveja ocorre entre duas pessoas e é um sentimento em que o invejoso sofre pela falta de algo que o outro tem e ele não, enquanto no ciúme há o medo de perder para um rival algo que já se tem, o seu objeto de amor.

A relação de ciúme é triangular.

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Como se resolve a inveja?

Na maioria das vezes a pessoa não consegue identificar a inveja nela mesma, pois os motivos que geram esse sentimento são inconscientes.

Geralmente, há necessidade da ajuda de um psicoterapeuta para ajudá-la a conscientizar o que sente e transformar esse sentimento em ação, fazendo com que use seus próprios recursos para conseguir o que quer e, posteriormente, valorizar suas conquistas, relatar ganhos, desafios vencidos e sinalizar a satisfação de ter o que conquistou e ser quem é.

 

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